Depois de um ano de trégua, a velha guerra de bastidores entre Remo e Paysandu volta à tona com força total. O acordo firmado entre as diretorias para uma não atravessar a frente da outra quando o assunto for contratação de jogadores está definitivamente quebrado. Tudo porque o Papão contratou ontem pela manhã o zagueiro Preto Barcarena, que treinava no Leão e estava nos planos do técnico Bagé. O pivô da briga declarada assinou contrato na Curuzu para um período de um ano, participou das atividades físicas fora do estádio bicolor e já se encontra instalado na Boca do Lobo, a concentração anexa ao Leônidas Castro.O presidente do Remo, Raimundo Ribeiro, em entrevista ao Bola na sede social do clube ontem à tarde, disse que o pacto com o rival está desfeito e que “o Paysandu não sabe o que está arrumando”. “Se eles realmente contrataram o jogador, o acerto de cavalheiros que fizemos não existe mais”, entendeu o dirigente, bastante irritado. “Não quero acreditar que o Paysandu levou o Preto, porque se isso foi feito, a partir de amanhã (hoje), vou começar a saber quem eles estão procurando e, se interessar ao Remo, também iremos atrás, não tem problema”, avisou.O mandatário do Paysandu, Miguel Pinho, disse que em nenhum momento o clube assediou o atleta, que foi procurá-lo com representantes dizendo que não pretendia ficar mais no Baenão. “Ele queria assinar contrato e não ficar fazendo testes, como estava do outro lado”, explicou o cartola. “O Preto me falou que não tinha nenhum vínculo com o Remo e que desejava ficar aqui, por isso eu o aceitei.” Pinho declarou que não está se importando com o que Raimundo Ribeiro pensa de sua atitude. “Futebol é oportunidade, e não deixo um cavalo passar duas vezes na minha frente. E se passar de novo, montarei outra vez”, garantiu.
J.R.RODRIGUES
Texto extraído do jornal Díario do Pará